A primeira visita ao ginecologista – O que você precisa saber

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Em uma pesquisa recente (2019) realizada pela FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia¹, constatou-se que, 6,5 milhões de brasileiras não frequentam o ginecologista, 4 milhões nunca foram a esse especialista e 16,2 milhões não vão a uma consulta ginecológica há mais de um ano. Esse cenário aponta que 20% das mulheres com 16 anos ou mais (ou seja, uma em cada cinco mulheres) corre o risco de ter algum problema ginecológico por desconhecimento, descaso e deszelo com a prevenção.¹

Constatou-se também que a idade média da primeira ida ao ginecologista é de 20 anos, o que é bastante preocupante, porque, após os nove anos de idade, é quando os seios começam a crescer, aumentam-se os pelos e se aflora a curiosidade, nas meninas. Surgem então as indagações ‘quando vou me tornar mocinha?’, ou ‘como vai ser isso?’ e ainda ‘isso dói?’. O convívio com as amigas de escola e primas acaba sendo o espaço de troca de experiências e situações, e o acompanhamento inicial com um profissional é passado por alto. Mas isso não deveria acontecer. 

A primeira menstruação, denominada MENARCA, sinaliza o início da vida reprodutiva, onde os ovários vão começar, uma vez por mês, liberar um ovócito (presente apenas na mulher), que se, fecundado por um espermatozóide (presente apenas no homem), levará à gestação de um bebê. Os dois primeiros anos após a menarca são cheios de mudanças como: alterações no humor, surgimento de espinhas, cólicas, fluxos e periodicidade alterados, entre outros. Na maioria das vezes, essas mudanças são sinais e sintomas do processo de adaptação do corpo ao produzir os hormônios, porém, e são essas situações que levam, ou deveriam levar, à busca pela primeira visita ao ginecologista. 

Essa primeira consulta é de suma importância e tem por objetivo orientar, sanar dúvidas e realizar o primeiro exame específico, como a ecografia pélvica. Ele serve para avaliar o útero, o endométrio, os ovários e as trompas. Apesar do nome feio, é um exame simples onde, uma câmera, com a ajuda de um gel, é passada por cima da barriga, como se faz na grávida, sabe? 

A próxima consulta considerada imprescindível é a chamada pré-nupcial. O objetivo dela é conversar e avaliar qual o melhor método contraceptivo (para evitar gestação) para você, afim de que sua saúde física e sexual não seja prejudicada posteriormente. São realizados exames de sangue para avaliação das taxas dos seus hormônios e também a ecografia pélvica que já falamos. E não é apenas a noiva que deve procurar um especialista. O noivo também deve buscar um médico para receber orientações e realizar exames. 

Para mulheres com vida sexual ativa, a rotina ginecológica deve ser anual, por prevenção, uma vez que até mesmo a escritora Ellen White recomenda que um grama de prevenção, vale mais que um quilo de cura.² Nessa consulta de rotina é realizado o exame conhecido como Papanicolau. Esse nome se refere ao criador do método e tem por objetivo rastrear a existência de câncer de colo de útero, detectando precocemente a doença, aumentando as chances de cura. São realizadas também as ecografias transvaginais e das mamas, e se a mulher tiver mais de 40 anos ou histórico familiar de câncer de mama, realiza-se também a mamografia. Se houverem queixas de irritabilidade, insônia, fogachos (calores intensos) e secura vaginal, considerasse estar no período popularmente chamado menopausa, mas o nome correto é climatério tá? O nome menopausa diz respeito a data ou dia em que a menstruação completou 12 meses sem vir. Isso acontece porque os hormônios da vida de ‘mocinha’ diminuem, e com essa diminuição o sangue precisa dosar a quantidade dos hormônios circulantes, e é quando os sintomas aparecem. 

Pronto, já falamos das principais consultas ginecológicas de rotina. Agora vamos falar daquela ida ao ginecologista quando algo está te incomodando, e isso, na maioria das vezes, não tem a ver com a idade, então vale para todas as mulheres. Vou listar aqui as principais queixas que devem te fazer buscar um profissional da área: 

  • Leucorréia (corrimento), prurido (coceira) e mau cheiro são sinais da existência de uma infecção e esta precisa ser tratada. Pode ser que você não tenha os três sintomas, mas a presença de dois já indica a necessidade de tratamento.
  • Cólica excessiva acompanhada de alteração intestinal no período menstrual.
  • Dispareunia (dor na relação sexual).
  • Menstruação com duração de mais de uma semana por meses repetidos.
  • Saída de urina ao espirrar e sorrir, acompanhada de aumento da frequência urinária durante a noite. 
  • Surgimento de feridas nas partes íntimas.
  • Surgimento de ‘caroço’ nos seios.
  • Saída de secreção dos seios sem estar grávida ou amamentando.

Essas são as principais queixas as quais você deve prestar atenção, mas peço que tenha o cuidado de se observar. Conheça o seu corpo para que seja capaz de identificar caso algo não esteja dentro da normalidade, porque como diz no Espírito de Profecia, conhecer anatomia e fisiologia é um dever de todo aquele que tem corpo e deseje usa-lo.³ 

Para que você possa se preparar e ir com tudo na ponta da língua, abaixo estão as principais perguntas feitas em consultórios ginecológicos: 

  • Qual a data da sua última menstruação? (Você responde o primeiro dia da última menstruação)
  • Com quantos anos veio sua primeira menstruação?
  • Já engravidou alguma vez? Foram partos normais ou cesárea? Houve algum aborto?
  • Você tem vida sexual ativa?
  • Que método você usa para evitar uma gestação?
  • Qual a data dos seus últimos exames? E se trouxe eles. (Se tiver, leve-os com você).
  • Você tem alergia a algum remédio?
  • Você faz uso de algum remédio contínuo? Qual?
  • Na sua família tem algum caso de doença ginecológica (câncer de mama, colo do útero e endométrio) ou trombose (problema de circulação)?
  • Você já amamentou?
  • Já realizou alguma cirurgia ginecológica? (laqueadura, retirada de mioma, tumor ou de útero, períneo, entre outras). 
  • Passou por alguma internação recente?

Por último e não menos importante peço que escolha com carinho o profissional que deverá te acompanhar, mas não faça isso sozinha. Ore e peça para nosso Pai celestial te ajudar, te encaminhar para aquele que você precisa. Peça também recomendação de pessoas próximas e busque um profissional que tenha realmente a especialização necessária. Você pode conferir esse último pelo título de RQE – Registro de Qualificação de Especialista que deve estar no material de divulgação e carimbo do profissional. 

Meu desejo é que você ame a Deus acima de todas as coisas, para que tenha um imenso desejo de cuidar do templo que Ele confiou a você: seu corpo. Previna-se! E que Deus te abençoe!

¹ FEBRASGOÍndice de satisfação da mulher com ginecologista e obstetra bate 93%

² WHITE, Ellen G., Manuscrito, 1897, p.86.

³ WHITE, Ellen G., Parábolas de Jesus, p.223-224.

Nathália Alcântara

Nathália Alcântara

A Nathália é enfermeira formada pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), pós graduanda em ginecologia e obstetrícia e trabalha num ambulatório cuidando de mulheres e bebês. E para cuidar de si ela ler, viaja, estuda e ama compartilhar suas novas descobertas.

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